O mercado de microfranquias tem apresentado um crescimento expressivo e passado por transformações profundas em seus formatos de atuação. Dados recentes mostram que as 20 maiores redes do segmento, associadas à Associação Brasileira de Franchising (ABF), alcançaram a marca de 21.030 operações em 2025, o que representa uma alta de 17% em comparação ao ano anterior. Deste total, 58% concentram-se no setor de Serviços e Outros Negócios, enquanto 51% operam no modelo Home Based. Esse movimento reflete a busca crescente por estruturas mais enxutas, flexíveis e altamente especializadas.
Além da exigência de um investimento inicial menor, essa tendência cria oportunidades significativas para profissionais que já possuem bagagem em determinados setores, facilitando a transição para o modelo de negócio próprio a partir de suas redes de relacionamento e experiências comerciais prévias.
Empresas tradicionais do setor tecnológico têm adaptado suas estruturas para acompanhar essa nova realidade econômica. Com quatro décadas de atuação em tecnologia voltada para a gestão empresarial e experiência consolidada no franchising desde 2005, a Vilesoft reestruturou seu modelo de expansão por verticais. A marca direcionou esforços para segmentos específicos, como Transportes, Contabilidade e RH, Indústria e Avicultura, com o objetivo de aproveitar o conhecimento prévio dos empreendedores sobre nichos específicos e ampliar a capilaridade da marca no território nacional.
"Nós percebemos que conhecimento de setor é uma vantagem competitiva. O ERP pode ser amplo, mas o problema do cliente é específico. Quando o franqueado conhece aquele mercado, ele consegue entender melhor a necessidade e desenvolver o negócio a partir dela", aponta Roger Maia, fundador e CEO da Vilesoft.
A transição de um formato tradicional para o modelo especializado ocorreu após um processo de reavaliação estratégica. Inicialmente baseada em exclusividade territorial, a rede identificou limitações quando um franqueado apresentava forte domínio em uma área específica, mas baixo desempenho em outras. Durante o período de pandemia, a companhia realizou a recompra das unidades para testar uma nova configuração operacional. Atualmente, a empresa opera com cinco unidades e projeta alcançar o encerramento de 2027 com um total de 22 novas franquias inauguradas em solo brasileiro.
A operação enxuta é sustentada pelo avanço da tecnologia e pela consolidação do modelo Home Based, que, segundo a ABF, já responde por mais da metade das operações entre as principais redes do país. No caso da Vilesoft, o investimento inicial parte de R$ 8.500, permitindo que o franqueado atue sem a necessidade de ponto comercial físico, estoques ou grandes equipes. O foco do operador direciona-se integralmente para atividades comerciais, como prospecção, relacionamento, demonstração de soluções e desenvolvimento de mercado, enquanto a franqueadora assume a responsabilidade pelo fornecimento da infraestrutura tecnológica e suporte contínuo.
Esse formato tem se mostrado altamente eficaz no mercado B2B, unindo a especialização setorial à tecnologia aplicada. Um profissional com vivência no setor de transportes, por exemplo, pode utilizar a plataforma digital para solucionar demandas complexas de gestão de frota, controle de documentos fiscais, viagens e custos operacionais. Da mesma forma, no setor industrial, as ferramentas atendem necessidades críticas de produção e suprimentos.
Para o futuro, os planos de expansão ultrapassam as fronteiras nacionais. Além da meta de consolidação de 22 novas unidades no Brasil até o final de 2027, a companhia mantém o foco na expansão internacional, com operações nos Estados Unidos — onde atua desde 2021 — e na Europa, mercado onde iniciou atividades voltadas a novas verticais.
"A nossa estratégia é combinar conhecimento do setor, tecnologia e capacidade comercial. O franqueado deixa de ser apenas um revendedor de software e passa a atuar como especialista em soluções de gestão para o mercado que conhece", conclui o executivo.
Fonte original: Globo