Gerenciar um negócio próprio e definir estratégias de precificação exige resiliência, mas algumas situações no atendimento ao cliente superam as expectativas do cotidiano comercial. Recentemente, uma vendedora identificada como Elly viralizou nas redes sociais ao expor uma situação inusitada vivida com uma cliente que tentou estabelecer o próprio preço em itens de papelaria.
Por meio de capturas de tela compartilhadas na internet, a jovem expôs a negociação na qual a consumidora exigia descontos drásticos. O apontador, anunciado por R$ 10, teve o valor reduzido para R$ 2 pela cliente. A lapiseira, cujo preço original era de R$ 15, foi solicitada por R$ 4. Já a cartela de adesivos, tabelada em R$ 10, recebeu uma oferta de apenas R$ 3. Para justificar os pedidos, a compradora argumentou que os itens seriam destinados à sua filha, que desejava muito os produtos.
A publicação rapidamente alcançou grande engajamento, acumulando 510,4 mil visualizações, 29 mil curtidas e centenas de comentários. Internautas demonstraram revolta e incredulidade diante da situação. Enquanto alguns classificaram a atitude como o cúmulo do absurdo e sugeriram que a vendedora cobrasse um “adicional de insalubridade”, outros ironizaram a situação apontando que a cliente parecia buscar preços praticados na década de 2000 ou sugeriram questionar se a oferta era em moeda estrangeira, como dólar ou euro. Houve ainda quem comparasse a tentativa de negociação a um leilão, desconsiderando que os valores já estavam fixados nos anúncios.
Diante dos questionamentos sobre a competitividade de seus preços, Elly recorreu à própria seção de comentários para publicar capturas de tela de plataformas concorrentes de comércio eletrônico. Nas imagens, itens similares eram comercializados por valores consideravelmente superiores, com cartelas de adesivos custando entre R$ 40 e R$ 80, e apontadores alcançando a marca de R$ 50.
O episódio ilustra os desafios enfrentados por empreendedores na relação com o público, um processo que vai muito além da simples oferta de mercadorias e envolve a complexa tarefa de precificação. Especialistas apontam que definir o valor de venda de um produto não é uma operação simples e requer cálculos precisos de margem de lucro e custos operacionais.
Segundo Demian Condé, especialista do Sebrae, uma fórmula básica e eficiente para auxiliar pequenos e médios empresários nessa etapa consiste em somar o custo total de produção ou aquisição, as despesas operacionais e a margem de lucro desejada para chegar ao preço final de comercialização.
Além da matemática financeira, especialistas reforçam que o posicionamento de mercado exige planejamento estratégico. Ricardo Pastore, coordenador do núcleo de varejo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) em São Paulo, destaca que a precificação deve observar diretrizes fundamentais:
- Coerência com o propósito: O preço praticado precisa estar rigorosamente alinhado à identidade e à missão da marca no mercado.
- Perfil do consumidor: É indispensável considerar o comportamento, o poder aquisitivo e as expectativas do público-alvo atendido.
- Análise da concorrência: Deve-se avaliar o cenário competitivo em conjunto com a proposta de valor exclusiva da empresa, respondendo a questionamentos estratégicos como: além de um preço competitivo, quais diferenciais o negócio entrega ao cliente?
Fonte original: Globo